A empresa de shopping centers Multiplan concluiu em 2024 um plano recorde de revitalização, com impacto em 19 dos 20 empreendimentos da carteira, e planeja três expansões que devem somar investimentos de cerca de R$ 600 milhões entre 2025 e 2026, disse o diretor-presidente Eduardo Kaminitz Peres.
Apesar do ambiente de juros mais elevados, que encarecem o custo do capital, e de desaceleração econômica, o comando afirma que janeiro começou forte, e a resiliência de seus imóveis, voltados mais aos públicos A e B, permite a manutenção dos planos.
— O ano de 2024 foi o mais produtivo da história da empresa, em todos os indicadores — afirmou. — O Natal foi muito bom, e 2025 começou com janeiro forte.
Segundo ele, a empresa tem recebido, em média, 120 a 130 propostas de abertura de lojas a cada 15 dias, e, no geral, se aproveita, em média, cerca de 30%, considerando valores e condições de negociação.
Na semana passada, a empresa publicou o balanço de 2024, com lucro líquido recorde de R$ 1,3 bilhão, alta de 31,4% em relação a 2023. A receita líquida subiu 24% para R$ 2,5 bilhões. Ainda foi a melhor margem operacional da história. Relatórios do JP Morgan, XP, Santander e Itaú BBA citam resultados sólidos, em parte, pelo perfil de empreendimentos, mesmo em cenário econômico difícil.
BarraShopping
Na praça do Rio, há planos no radar como a expansão do BarraShopping, a construção de um projeto imobiliário próximo ao empreendimento (gerando aumento de fluxo de clientes no shopping), além da expansão do VillageMall. Não há datas para esses projetos.
— Preferimos terminar a revitalização do BarraShopping e depois avançarmos com a expansão em paralelo com o projeto imobiliário — disse ele.
Segundo o executivo, a empresa teve obras de melhoria e reformas simultâneas no ano passado, para recuperar aquilo que não pôde ser feito durante a pandemia, quando houve uma deterioração natural dos espaços.
— A gente precisava retomar e entregar de volta a experiência original dos shoppings, por isso tivemos esse ápice de revitalização. Daqui pra frente, esse investimento vai decrescer. Mas ao mesmo tempo, faremos três expansões — disse ele.
Nesse grupo de novas expansões estão o Parque Shopping Maceió (Alagoas), com espaço a ser aberto em novembro deste ano, o Morumbi Shopping (São Paulo), com inauguração da área no início de 2026, e o ParkShoppingBrasília, para o final de 2026.
Pelos dados do balanço, em 2024, foram quase R$ 400 milhões em revitalizações, tecnologia e inovação digital, alta de 160% frente ao ano anterior. Em expansões, o avanço foi de 140%, para R$ 444 milhões no mesmo período.
Ao se considerar os investimentos (“Capex”, ou despesas de capitais) anuais no portfólio, Peres prefere não projetar que a soma chegará em R$ 1 bilhão, após alcançar R$ 911 milhões em 2024.
— A ideia é que façamos mais ou menos o que fizemos no ano passado. Talvez seja um pouco menos intenso, por conta de [desafios de] mão de obra mesmo — afirmou. — Do auge do que foi ano passado, houve duas entregas significativas, a inauguração do ParkShopping Barigüi, em Curitiba, e do DiamondMall, em Belo Horizonte, que foi o shopping que mais cresceu no ano passado.
O nível de investimentos de 2024 foi o terceiro maior na empresa desde a abertura de capital, em 2007, e só inferior a 2012 (R$ 1,3 bilhão) e 2016 (R$ 952 milhões). O montante de 2024 não considera os R$ 2 bilhões desembolsados para a compra de fatia de Ontario Teachers’ Pension Plan (OTPP), fundo de pensão canadense que vendeu sua posição de 18,5% em novembro.
Perguntado sobre riscos de pressão sobre endividamento, num cenário de juros chegando a 15% ao fim do ano, Peres diz que não acredita numa manutenção desse patamar de 15% por muito tempo. E diz que os níveis de endividamento, mesmo tendo crescido em 2024, não são preocupantes.
Em dezembro, a relação dívida líquida e Ebitda, que mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, estava em 2,31 vezes, versus 1,41 vez em setembro. É o maior indicador desde o fim de 2021, quando foi a 3,06 vezes.
Apesar da alta, o cronograma de amortização é de dez anos, e o índice se mantém bem abaixo dos covenants, em 4 vezes, que são limites financeiros a serem respeitados, e determinados em contratos com credores.
— Fizemos um fluxo de caixa longo de dez anos, que é supertranquilo, e o endividamento vai passar o ano assim, e ali na frente ele começa a descer. O que mais preocupa é a taxa de juros. Mas eu não acredito que o Brasil possa ficar com 15% por muito tempo. Talvez ele seja um pico, depois volta para uma taxa menor.
“O ano de 2024 foi o mais produtivo da história da empresa, em todos os indicadores. O Natal foi muito bom, e 2025 começou com janeiro forte” ,Eduardo Kaminitz Peres, diretor-presidente da Multiplan
Sobre a possibilidade de voltar a abrir empreendimentos greenfield, a partir do zero, o executivo diz que “não apareceu nenhuma oportunidade que fizesse sentido” — a última abertura foi do ParkJacarepaguá, no Rio, em 2021, em plena pandemia.
Afirma que há propostas que parecem boas, mas não fazem sentido.
— Você está numa cidade do interior com 500 mil habitantes e já tem lá três shopping e você vai abrir o quarto? Para quê? — afirma. — Essa lição a gente já apreendeu, tem gente que continua errando, mas eu não faço, eu refutei.
Ainda diz que, quando seu pai, José Isaac Peres, presidente do Conselho de Administração, fundou a companhia, em 1975, a ideia não era ter 40 ou 50 shoppings “sendo metade bom e metade ruim”. Desde fevereiro de 2023, Eduardo ocupa a cadeira de presidente no lugar do pai, que está no conselho.
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