Petrobras: veja o que mais desagradou os investidores no balanço de 2024 da estatal, que derreteu na Bolsa

Depois de frustrar investidores com uma queda de 70,6% do lucro — que somou R$ 36,6 bilhões em 2024 — e o anúncio de dividendos em volume inferior ao previsto pelo mercado, as ações da Petrobras tiveram forte queda ontem e afetaram o desempenho da Bolsa, que fechou quase estável, com alta de 0,02%.

Os papéis ordinários (com direito a voto) da estatal recuaram 5,56%, na maior desvalorização desde maio do ano passado, cotados a R$ 39,24. Foram também a maior queda ontem do Ibovespa, índice de referência dos investidores.

Com a reação ao primeiro desempenho anual da gestão de Magda Chambriard, o valor de mercado da petroleira encolheu em R$ 24,5 bilhões, para R$ 491,4 bilhões, o maior recuo desde dezembro.

Os papéis iniciaram o dia em baixa, com investidores repercutindo o pagamento de R$ 9,1 bilhões em dividendos do quarto trimestre. As expectativas giravam em torno de R$ 11 bilhões a R$ 17 bilhões. No pior momento do pregão, as ações da Petrobras chegaram a cair 9%. A reação negativa também foi vista nos recibos de ações da Petrobras negociados em Nova York (ADRs), que recuaram 5,66%.

‘Sinal de alerta’

Além da perspectiva de ganho menor para o acionista, a estatal sofreu outro revés com o relatório de técnicos do Ibama rejeitando a licença para pesquisa na Margem Equatorial, mas a decisão final é do presidente do órgão.

Em conferência com analistas, a presidente da Petrobras destacou que a estatal enfrentou um 2024 desafiador e que entende a frustração do mercado com a distribuição de dividendos a curto prazo.

Em relatório, o Citi afirmou que a reação negativa veio do anúncio de dividendos ordinários fracos no trimestre. Nos últimos anos, a Petrobras se firmou como boa pagadora de dividendos, e isso atraiu investidores para o papel.

Analistas do BTG Pactual afirmaram que “um sinal de alerta” foi aceso pela possibilidade de uma guinada na alocação de capital da empresa diante do histórico de interferência política, mas o próprio banco afirma que há pouca probabilidade de isso acontecer e vê o “momento de pânico” como boa oportunidade de investir na ação.

Já o Goldman Sachs destaca em relatório que “o acionista controlador da Petrobras tem se manifestado sobre a necessidade de usar a empresa para acelerar o crescimento do PIB.”

‘Óleo no bolso mais rápido’

Os resultados divulgados na quarta-feira mostram que a empresa teve queda de 3,8% na produção, puxada pelas paradas para manutenção em campos do pré-sal e pelo declínio natural dos campos do pós-sal, com queda de 20%.

Chamou a atenção o recuo de 1,4% no volume de vendas no mercado interno, para 1,719 milhão de barris por dia. O resultado foi influenciado pela queda de 4,1% na gasolina e pela retração de 2,8% no diesel.

Ontem, ao comentar o desempenho, Magda explicou que a estratégia é ampliar a produção, com aumento dos investimentos através da antecipação da entrada de plataformas de produção. Ela citou o Campo de Búzios, que tem perspectiva de chegar a 2 milhões de barris por dia em 2030. Hoje, produz 800 mil barris diários e deve atingir 1 milhão este ano.

— Entendemos a frustração do mercado com os dividendos de curto prazo, mas antecipar o investimento em Búzios é tudo que o investidor pode querer. O que estamos oferecendo é óleo no bolso mais rapidamente — disse Magda. — Estamos focados em antecipar investimentos. E foi isso que fizemos.

No ano passado, a estatal investiu US$ 16,5 bilhões. Para este ano, a previsão é de US$ 18,5 bilhões, com variação de 10% para cima ou para baixo. Magda disse que, se possível, pretende antecipar investimentos de 2026 para este ano.

A presidente da estatal citou a antecipação da nova unidade no Parque das Baleias, na Bacia de Campos. Prevista para este ano, entrou em operação em outubro de 2024. E a antecipação de outras unidades, como no Campo de Mero, na Bacia de Santos.

— Enfrentamos o desafio do crescimento da produção. E o que estamos apresentando é o crescimento da produção e das reservas. Repor reserva é fundamental para a Petrobras manter sua relevância. Por isso, entendemos como revelante, essencial e importante a exploração da Margem Equatorial de forma responsável. É uma área que entendemos ter alto potencial — afirmou Magda a analistas.

Analistas apontaram a alta do dólar e a queda do preço do petróleo como fatores para o resultado da empresa, que teve prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre. Magda afirmou que o dólar foi o principal responsável pela perda de outubro a dezembro.

Segundo ela, o lucro menor deveu-se a uma questão contábil, referente à variação cambial das dívidas entre a estatal e subsidiárias no exterior.

Na prática, embora tenha receitas em dólar, a Petrobras tem dívidas na moeda americana. Quando esta sobe, há impacto no valor a ser provisionado para pagamento. Sem isso, a empresa diz que o lucro líquido anual teria sido de R$ 103 bilhões.

A divida líquida subiu 16,9%, a US$ 52,240 bilhões.

O equilíbrio entre pagamento de dividendos e investimento foi a tônica das avaliações do mercado ontem.

Para Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Investimentos, a entrevista de Magda jogou luz sobre os futuros investimentos e contribuiu para frear a queda dos papéis:

— Anteciparam algum investimento para o campo de Búzios e isso trouxe um alívio (na queda das ações), porque ajuda a aumentar a produção para 2025.

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